SL Benfica-BoaViagem - 22/10/2017 15:00 - Pav. Fidelidade
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Entrevistas

Nunca trabalhei no Boa Viagem com este espírito de equipa

Segunda-Feira, dia 08 de Outubro de 2012

Nunca trabalhei no Boa Viagem com este espírito de equipa

"MARCOS COUTO ELOGIA PLANTEL NA ÉPOCA EM QUE O CLUBE ERGUEU TAÇA DA FEDERAÇÃO LIGA FEMININA DE BASQUETEBOL"

LUÍS ALMEIDA  |DI

  Marcos Couto destaca união de grupo e conquista da Taça da Federação, mas lamenta que lesões tenham limitado o Boa Viagem no final da época.

O BOA VIAGEM CONQUISTOU NA ÉPOCA PASSADA O SEU PRIMEIRO TROFÉU AO MAIS ALTO NÍVEL DO BASQUETEBOL FEMININO EM PORTUGAL. COMO EXPLICA QUE ESTE DESEJADO TÍTULO TENHA SURGIDO PRECISAMENTE NUMA TEMPORADA EM QUE, AO CONTRÁRIO DE OUTRAS, NÃO SERIA ALGO EXPECTÁVEL À PARTIDA?
Talvez por isso mesmo. Julgo que as expectativas que sempre foram colocadas à volta do que o Boa Viagem poderia ou não fazer acabaram por criar demasiada pressão em toda a estrutura do clube. Com a reestruturação interna que aconteceu, nomeadamente quanto à equipa sénior, passámos a assumir de forma clara quais os nossos objetivos, sendo que o plantel passou a ter maior disponibilidade para trabalhar. De uma forma mais concreta, julgo que se conseguiu um bom grupo de trabalho. Ter grandes valores é importante, sem dúvida, mas é sempre necessário a capacidade de reunir um grupo capaz de um grande relacionamento entre todos, para que todos saibam o que podem dar para determinado projeto. Foi isto que aconteceu. Defrontámos para o play-off a Quinta dos Lombos, campeã nacional, e, mesmo sem a Corin e a Solange, a equipa conseguiu um espírito de entrega e disponibilidade enorme. Senti que dei ao clube o que sempre procurei desde o primeiro dia e o que esta direção merecia há muito. O que eles procuravam exacerbadamente apareceu de forma natural. Foi um título muito gratificante.

REFERIU UMA "REESTRUTURAÇÃO INTERNA" NO BOA VIAGEM. OS OBJETIVOS DA EQUIPA, NESTA ALTURA, SÃO MENOS AMBICIOSOS DO QUE NO PASSADO RECENTE?
Os objetivos do desporto açoriano, durante muito tempo, foram como os objetivos do país: irreais. Os reflexos estão à nossa volta. Fomos vivendo em torno da megalomania instalada na sociedade portuguesa, açoriana e terceirense. É claro que baixámos em termos de orçamento, mas baixaram todos os outros também, mesmo que apareçam sempre aquelas equipas que, no fim, investem mais alguma coisa. Mas a média está mais baixa. O que o Boa Viagem fez foi colocar os dois pés bem assentes no chão, não em relação à sua gestão, que esta sempre foi extraordinariamente equilibrada, mas no que toca aos objetivos. A estratosfera não é a nossa realidade.

O BOA VIAGEM VOLTOU A ENCONTRAR A QUINTA DOS LOMBOS NO PLAY-OFF, SENDO AFASTADO NA PRIMEIRA ELIMINATÓRIA, TAL COMO ACONTECEU HÁ DUAS ÉPOCAS. COMEÇA A SER UMA FASE DESMOTIVANTE?
Penso que não. Aliás, tivemos este ano um azar tremendo, pois não me esqueço que vencemos a Quinta dos Lombos em Angra do Heroísmo por 22 pontos. Perdemos lá por 23, quando já não tínhamos a Solange e a Corin. De facto, o problema das lesões tem sido recorrente, que se agrava num plantel curto. Existe sempre um maior stress físico, emocional e competitivo, que acaba por aumentar o risco de lesões. A época passada foi tremenda neste capítulo e, de dezembro a fevereiro, tive a equipa completa para trabalhar apenas uma semana.

TEM SIDO, SEM DÚVIDA, UM HANDICAP RECORRENTE E AS RAZÕES ESTÃO ENCONTRADAS, COMO ACABOU DE REFERIR. COMO DAR A VOLTA A ISTO?
Não é fácil. Os problemas de recrutamento são inegáveis e recrutamos dentro das nossas limitações. O que temos de fazer - e temo-lo feito - é apostar na formação. É este o caminho. Aliás, estou extraordinariamente surpreendido com as jogadoras que subiram dos escalões de formação esta época. Penso que estas jovens têm de começar a aparecer na equipa sénior mais cedo, para que, dentro de dois/três anos, possam oferecer minutos à equipa. A Bárbara Silva é um bom exemplo, pois dá minutos à equipa e faz parte das soluções. Esta época o plantel possui atletas de 15 anos, que subiram às seniores, e julgo que, dentro de três ou quatro anos, se trabalharem e forem persistentes, podem contribuir para o plantel principal. Só assim poderemos aliviar o stress que referi.

BOA TROCA
ASSUMIU, NO FINAL DA ÉPOCA PASSADA, QUE A CONTRATAÇÃO SONANTE DE BRANDIE HOSKINS TINHA SIDO UM ERRO DE CASTING. PASSOU-SE O MESMO COM SHERIDA TRIGGS, QUE TEVE PASSAGEM METEÓRICA PELO BOA VIAGEM?
Não. A Sherida saiu por opção, pois não a mandámos embora. Não se adaptou à ilha, apesar de não ter sido essa a justificação que nos deu. Deu uma justificação pessoal, mas percebia-se a falta de adaptação. Julgo, no entanto, que se tratava de uma mais-valia.

MAS O BOA VIAGEM FICOU A GANHAR COM A "TROCA" COM LADY COMFORT...
Sem dúvida alguma. Estamos a falar de uma atleta que jogou a Euro Liga e que chegou à WNBA. Ou seja, não estamos a falar de uma jogadora qualquer. Ainda assim, a Lady Comfort era uma atleta com algumas limitações, nomeadamente físicas e nas suas capacidades defensivas. Mas garantiu-nos muita coisa e era, sem dúvida, uma mais-valia enorme para o Boa Viagem.

E O QUE DIZER DE CORIN ADAMS?
A Corin é uma atleta com atributos extraordinários, a começar pelo prazer que sente em viver na ilha, que é algo determinante no recrutamento de qualquer atleta. Por outro lado, é uma trabalhadora incansável, além de ser uma excelente pessoa. Como jogadora, tem algumas limitações físicas, perfeitamente visíveis, mas que consegue compensar com a sua disponibilidade para o jogo. Daí que, apesar de se ter lesionado com gravidade e de ter sido submetida a uma intervenção cirúrgica nos Estados Unidos, não tivemos qualquer dúvida em recrutá-la de novo para 2012/13.
Mas penso que todo o grupo teve um comportamento assinalável. A Lavínia e a Tatiana, por exemplo, protagonizaram uma evolução individual tremenda. Aliás, fico, mais uma vez, extremamente orgulhoso de poder contribuir para que mais uma jogadora pudesse integrar pela primeira vez a seleção nacional, que foi o caso da Lavínia. Vamos trabalhar para que também a Tatiana possa atingir esta meta. Já a Célia Simões foi, como sempre, a jogadora consistente que todos já conhecem, ao passo que a Solange Neves fez a época da sua vida. Tivemos uma conversa muita clara no início da temporada, em que disse o que esperava dela e que já era tempo de deixar de ser apenas uma promessa. A Solange correspondeu a 100%, não obstante ter tido o tremendo azar de se lesionar com gravidade logo depois a conquista da Taça da Federação. Foi uma jogado-ra importantíssima dentro de um plantel que fez da química de equipa uma mais-valia.

"PERDEU" A SUA CONDIÇÃO DE TREINADOR A TEMPO INTEIRO, ALGO QUE DUROU DUAS ÉPOCAS. TECNICAMENTE, O QUE É QUE A EQUIPA GANHOU COM ESTA EXPERIÊNCIA E O QUE PERDE COM O REGRESSO AO "PART-TIME"?
Foi assim porque as requisições terminaram. Em termos práticos, perde-se disponibilidade de tempo para trabalhar com as atletas e disponibilidade mental para o treino. No entanto, isto acabou por ser minimizado com a entrada de Jorge Cabacinho para a equipa técnica. Aliás, julgo que o Jorge Cabacinho comigo acabou por ser um cenário mais produtivo do que eu a tempo inteiro. É alguém que não continua por questões pessoais, mas não posso esquecer o seu trabalho. Foi importantíssimo. 

APESAR DAS LESÕES...

"Depois da Taça da Federação
queríamos a final da Liga"

O Boa Viagem termina a fase regular da Liga Feminina em quinto lugar, é afastado na primeira eliminatória do play-off e nos quartos-de-final da Taça de Portugal, conquistando, no entanto, a Taça da Federação Liga Feminina. São desfechos que correspondem às suas expectativas?
Não e tenho de ser sincero: depois de vencer a Taça da Federação, eu e a equipa queríamos ter atingido a final da Liga. As atletas sentiam que tinham capacidade e qualidade para lá chegar. O espírito de união era brutal e não me lembro de trabalhar no Boa Viagem a este nível. Mais: não me lembro de trabalhar em nenhuma equipa a este nível.
No entanto, numa equipa que tinha apenas sete soluções e que perdeu a Solange e a Corin, todos tiveram consciência das dificuldades. Fica aquele amargo de boca final, pois tínhamos tudo para chegar mais à frente. Perdemos com a Quinta dos Lombos por 11 pontos em casa e por quatro fora. Com estas duas jogadoras, talvez a história pudesse ter sido outra. 

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Classificação
Equipa J V D
1 U.Sportiva 3 3 0
2 GDESSA Barreiro 3 3 0
3 AD VAGOS 3 3 0
4 Quinta dos Lombos 3 2 1
5 CAB Madeira 3 2 1
6 BoaViagem 3 2 1
7 SL Benfica 3 1 2
8 Vitoria SC Guimarães 3 1 2
9 Algés 3 1 2
10 Ovarense 3 0 3
11 AFC 3 0 3
12 Olivais Coimbra 3 0 3
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